Uma pesquisa publicada no Privacy Enhancing Technologies Symposium (PETS) em 2025 revelou que 18 das VPNs mais populares no Google Play Store, com mais de 700 milhões de downloads, compartilham infraestruturas e possuem falhas de segurança graves que podem expor atividades de navegação e comprometer sistemas com dados corrompidos (CNET, 2025). Apesar de se apresentarem como empresas independentes, essas VPNs pertencem a três grupos distintos de companhias, levantando preocupações sobre transparência e segurança. Este artigo detalha a descoberta, os grupos identificados, os riscos associados e como escolher uma VPN confiável, com base em informações do CNET (5 de setembro de 2025) e outras fontes relevantes.
A Descoberta: 18 VPNs Conectadas em Três Grupos
Os pesquisadores analisaram as VPNs mais baixadas no Google Play Store, examinando documentos comerciais, presença online e códigos-fonte. Eles identificaram semelhanças que agruparam as 18 VPNs em três famílias de empresas (CNET, 2025):
- Família A: Turbo VPN, Turbo VPN Lite, VPN Monster, VPN Proxy Master, VPN Proxy Master Lite, Robot VPN, Snap VPN, SuperNet VPN.
- Detalhes: Ligadas a três provedores associados à Qihoo 360, uma empresa chinesa identificada pelo Departamento de Defesa dos EUA como vinculada ao exército chinês (CNET, 2025). Essas VPNs compartilham código, APKs, infraestrutura, assinaturas e usam criptografia fraca (Tom’s Guide, 2025).
- Família B: Global VPN, Inf VPN, Melon VPN, Super Z VPN, Touch VPN, VPN ProMaster, XY VPN, 3X VPN.
- Detalhes: Usam os mesmos endereços IP de uma única empresa de hospedagem. Algumas políticas de privacidade mencionam a Innovative Connecting, sugerindo conexões corporativas (Tom’s Guide, 2025).
- Família C: X-VPN, Fast Potato VPN.
- Detalhes: Apesar de pertencerem a provedores diferentes, compartilham códigos semelhantes e um protocolo VPN personalizado. Fast Potato VPN não possui registros comerciais no OpenCorporates, levantando dúvidas sobre sua legitimidade (Tom’s Guide, 2025).
Nota Positiva: Nenhuma das VPNs recomendadas pela CNET – ExpressVPN, NordVPN, Surfshark, Proton VPN e Mullvad – está na lista (CNET, 2025).
Por Que Isso Importa?
1. Falhas de Segurança Graves
As 18 VPNs apresentam vulnerabilidades significativas, incluindo:
- Criptografia Fraca: Algumas usam algoritmos desatualizados, expondo dados a hackers (Tom’s Guide, 2025).
- Ataques de Interceptação: Todas são suscetíveis a ataques blind on-path em redes Wi-Fi públicas, permitindo que hackers interceptem tráfego sem detecção (Mashable, 2025).
- Reutilização de Credenciais: Algumas VPNs reutilizam logins para ferramentas como ShadowSocks, aumentando riscos (Mashable, 2025).
Essas falhas podem expor atividades de navegação, comprometer dados pessoais e permitir injeção de dados corrompidos (CNET, 2025).
2. Falta de Transparência
Apesar de se promoverem como independentes, essas VPNs pertencem a três grupos corporativos, muitas vezes sem divulgar suas conexões. A Família A, ligada à Qihoo 360, levanta preocupações devido a possíveis vínculos com o governo chinês, o que pode implicar registro de atividades e compartilhamento com autoridades (CNET, 2025). A Tech Transparency Project já havia apontado em 2024 que várias dessas VPNs têm laços com o exército chinês (Tom’s Guide, 2025).
3. Riscos para Usuários
- Privacidade Comprometida: Dados sensíveis, como histórico de navegação, podem ser expostos ou compartilhados (CNET, 2025).
- Jurisdicação: Empresas em países com leis de retenção de dados, como a China, podem ser obrigadas a registrar atividades (Engadget, 2025).
- Falta de Supervisão: Lojas de aplicativos, como o Google Play, priorizam detecção de malware, mas não verificam a propriedade ou segurança das VPNs (Mashable, 2025).
O Que Fazer se Você Usa uma Dessas VPNs?
Attila Tomaschek, especialista da CNET, recomenda:
- Remover Imediatamente: Desinstale qualquer uma das 18 VPNs listadas (CNET, 2025).
- Monitorar Dados: Verifique relatórios de crédito e use serviços de monitoramento da dark web ou proteção contra roubo de identidade (CNET, 2025).
- Escolher VPNs Confiáveis: Opte por serviços com políticas de privacidade transparentes e auditorias independentes, como NordVPN (Panamá) ou ExpressVPN (Ilhas Virgens Britânicas) (Security.org, 2025).
Como Escolher uma VPN Segura
Para evitar riscos, siga estas dicas (CNET, 2025; Tom’s Guide, 2025):
- Leia a Política de Privacidade: Procure termos como “logging”, “data sharing” ou “data collection”. VPNs com políticas de “no-logs” auditadas, como Proton VPN, são ideais (Security.org, 2025).
- Pesquise a Empresa: Faça uma busca no Google para verificar a reputação do provedor e possíveis escândalos (CNET, 2025).
- Confie em Revisões Imparciais: Consulte fontes confiáveis como CNET, TechRadar ou Security.org (CNET, 2025).
- Evite VPNs Gratuitas: Muitas VPNs gratuitas têm práticas questionáveis, como venda de dados. Prefira opções pagas com boa reputação (Malwarebytes, 2025).
- Verifique a Jurisdição: Escolha VPNs baseadas em países sem leis de retenção de dados, como Panamá (NordVPN) ou Suíça (Proton VPN) (RedSecLabs, 2025).
VPNs Recomendadas
- ExpressVPN: Auditorias frequentes, protocolo Lightway e servidores em 105 países (CNET, 2025).
- NordVPN: Velocidade líder (3% de perda) e política de no-logs auditada (Security.org, 2025).
- Surfshark: Servidores em 100 países e recursos como CleanWeb (allaboutcookies.org, 2025).
- Proton VPN: Melhor plano gratuito, com apps de código aberto (PCMag, 2025).
- Mullvad: Foco em privacidade e transparência (RTINGS.com, 2025).
Contexto Brasileiro
No Brasil, onde VPNs são populares para acessar conteúdo restrito e proteger dados em Wi-Fi público, a descoberta é preocupante. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) está discutindo regulamentações para proteger usuários contra práticas invasivas de privacidade (Estadão, 2025). Usuários brasileiros devem ser cautelosos com VPNs gratuitas no Google Play, como as listadas, e preferir serviços pagos com auditorias independentes (Malwarebytes, 2025).
Conclusão
A revelação de que 18 VPNs populares pertencem a três grupos com falhas de segurança e falta de transparência destaca a importância de escolher provedores confiáveis. A ligação de algumas dessas VPNs à Qihoo 360 e a vulnerabilidades como criptografia fraca e ataques on-path expõem riscos significativos à privacidade. Usuários devem desinstalar essas VPNs, monitorar dados expostos e optar por serviços como ExpressVPN, NordVPN ou Proton VPN, que oferecem segurança auditada e transparência. No Brasil, onde a privacidade online é crucial, essa pesquisa reforça a necessidade de cautela ao selecionar uma VPN.
Com informações de CNET e Tom’s Guide.

