O Júpiter é o mais novo marco da computação europeia, um supercomputador em exaescala projetado para impulsionar avanços em inteligência artificial (IA) e ciências. Hospedado no Centro de Supercomputação de Jülich, na Alemanha, ele conta com 24 mil chips da Nvidia e representa um investimento de 500 milhões de euros (mais de R$ 3 bilhões) da União Europeia. Capaz de realizar um quintilhão de cálculos por segundo, o Júpiter visa colocar a Europa no mapa da IA global, competindo com potências como EUA e China. Com aplicações em previsões climáticas, simulações cerebrais e desenvolvimento de medicamentos, o sistema também prioriza eficiência energética, consumindo 11 megawatts, mas reutilizando o calor residual. Neste artigo, exploramos o que é o Júpiter, como ele funciona, suas aplicações e o impacto ambiental e estratégico.
O Que é o Supercomputador Júpiter?
O Júpiter é o primeiro supercomputador em exaescala (exaflops) da Europa, inaugurado em 2025 como parte do programa EuroHPC Joint Undertaking. Ele integra hardware avançado, incluindo processadores AMD EPYC e os chips Nvidia Grace Hopper Superchip, para processar dados em velocidades inéditas. Com um custo total de 500 milhões de euros financiados pela UE, o sistema é operado pelo Forschungszentrum Jülich e estará disponível para pesquisadores, empresas e instituições de toda a Europa.
Características Técnicas Principais
- Potência: 1 exaflop (10^18 operações por segundo), tornando-o um dos mais rápidos do mundo.
- Hardware: 24 mil GPUs Nvidia, combinadas com CPUs AMD e armazenamento de alta velocidade.
- Área: Ocupa 3.600 m², equivalente a metade de um campo de futebol, com infraestrutura modular para expansões futuras.
- Acessibilidade: Aberto a usuários via alocação de tempo, priorizando projetos científicos e industriais europeus.
Diferente de supercomputadores anteriores como o LUMI (Finlândia, 2022), o Júpiter foca em IA, com otimizações para machine learning e simulações complexas.
Como o Júpiter Funciona?
O Júpiter opera como um cluster de computação distribuída, onde milhares de processadores trabalham em paralelo para resolver problemas massivos. Os chips Nvidia lidam com tarefas de IA, como treinamento de modelos neurais, enquanto os processadores AMD gerenciam cargas gerais. O sistema usa resfriamento líquido avançado para eficiência, consumindo 11 MW — energia para cerca de 10 mil residências —, mas com eficiência energética 2,5 vezes superior a gerações anteriores.
Processo de Operação
- Entrada de Dados: Usuários enviam jobs via interface web ou API, com dados armazenados em um sistema de 700 petabytes.
- Processamento: Os GPUs Nvidia executam algoritmos de IA em paralelo, simulando cenários em segundos que levariam anos em computadores comuns.
- Saída: Resultados são retornados para análise, com ferramentas integradas para visualização.
O Júpiter integra software como o NVIDIA AI Enterprise, facilitando o desenvolvimento de modelos de IA generativa e preditiva.
Aplicações Científicas e Tecnológicas do Júpiter
O supercomputador é projetado para aplicações de alto impacto, priorizando desafios globais. Aqui estão as principais áreas:
IA e Machine Learning
- Treinamento de modelos de IA europeus, reduzindo dependência de infraestrutura americana ou chinesa.
- Desenvolvimento de algoritmos para processamento de linguagem natural e visão computacional, impulsionando startups europeias.
Clima e Meio Ambiente
- Previsões climáticas detalhadas, simulando eventos extremos como ondas de calor com precisão de até 1 km.
- Projeções de mudanças climáticas para 30-100 anos, ajudando na adaptação de políticas da UE.
Saúde e Biologia
- Simulações de processos cerebrais para entender doenças como Alzheimer.
- Desenvolvimento acelerado de medicamentos, testando interações moleculares em escala massiva.
Energia e Materiais
- Modelos para transição energética, otimizando fontes renováveis como solar e eólica.
- Ciências dos materiais: Criação de substâncias mais leves, fortes e sustentáveis para indústrias como automotiva e aeroespacial.
Essas aplicações beneficiarão mais de 1.000 projetos anuais, com prioridade para pesquisadores da UE.
O Impacto Estratégico para a Europa
A Europa tem ficado para trás na corrida da IA, com apenas 5% do poder computacional global em 2024, contra 40% dos EUA e 20% da China (dados da EuroHPC). O Júpiter, ao lado de outros como o MareNostrum 5 (Espanha), visa corrigir isso, fomentando inovação soberana. Ele depende de chips Nvidia (americana), mas incentiva o desenvolvimento de alternativas europeias, como o projeto EPI (European Processor Initiative).
Competição Global
- EUA: Três exaescalas operacionais (Frontier, Aurora, El Capitan), usadas por empresas como Google e Meta.
- China: Tianhe-3 e outros, com foco em IA militar e civil.
- Europa: Com Júpiter, a UE alcança 10% da capacidade global até 2026, impulsionando o GDPR para IA ética.
Empresas como Siemens e Airbus já reservaram tempo no Júpiter para simulações industriais.
Consumo de Energia e Infraestrutura Sustentável
O Júpiter é eficiente, mas seu consumo de 11 MW destaca o desafio da computação de alto desempenho. Para mitigar, o sistema usa:
- Resfriamento Avançado: Líquido direto nos chips, reduzindo perdas em 40%.
- Reutilização de Calor: O calor residual aquece edifícios próximos em Jülich, economizando 20% de energia local.
- Eficiência: Consome 25% menos energia por flop que o Frontier (EUA), alinhado à meta da UE de neutralidade carbônica até 2050.
O centro de Jülich, um dos maiores da Europa, integra o Júpiter a uma rede de supercomputadores, com expansão planejada para 2030.
Comparação de Supercomputadores
| Supercomputador | Local | Potência (exaflops) | Consumo (MW) | Foco Principal |
|---|---|---|---|---|
| Júpiter | Alemanha | 1 | 11 | IA e Clima |
| Frontier | EUA | 1.2 | 21 | Pesquisa Geral |
| Tianhe-3 | China | 1.3 (estimado) | 15 | IA Militar |
| LUMI | Finlândia | 0.55 | 7 | Clima e Saúde |
O Futuro do Júpiter e da Computação Europeia
Lançado em 2025, o Júpiter operará por 5-10 anos, com upgrades para zettaflops (10^21 flops) até 2030. Ele impulsionará a Estratégia de IA da UE, que aloca €1 bilhão para 2025-2027, criando empregos em IA e fomentando startups. Desafios incluem dependência de chips estrangeiros e treinamento de talentos — a UE forma 20% menos especialistas em IA que os EUA.
Para 2026, espera-se que o Júpiter contribua para modelos de IA europeus, como os da Mistral AI (França), e simulações climáticas para o Acordo de Paris. Sua eficiência energética serve de modelo para data centers globais, reduzindo emissões em 15% no setor.
Conclusão
O Júpiter é a aposta ousada da Europa para recuperar terreno na IA, com seus 24 mil chips Nvidia e aplicações transformadoras em clima, saúde e energia. Apesar de desafios energéticos, sua infraestrutura sustentável e acessibilidade para pesquisadores posicionam o supercomputador como um pilar da inovação continental. Em um mundo onde a computação de exaescala define o futuro, o Júpiter não só acelera a ciência, mas também promove uma Europa mais competitiva e verde.
Com informações de UOL.

