O Retorno: Adaptação da Parte Final da Odisseia de Homero

O filme O Retorno (título original: The Return), dirigido por Uberto Pasolini, chega aos cinemas brasileiros em setembro de 2025 como uma adaptação moderna e intimista da parte final da Odisseia, o épico poema de Homero que narra as aventuras de Odisseu após a Guerra de Troia. Estrelado por Ralph Fiennes no papel de Odisseu e Juliette Binoche como Penélope, o drama épico explora temas de retorno, identidade e resiliência, transformando a mitologia grega em uma narrativa humana e contemporânea. Com uma abordagem minimalista, o filme evita efeitos especiais grandiosos, focando na tensão emocional e nas atuações poderosas de seus protagonistas. Neste artigo, mergulhamos na sinopse, no elenco, na adaptação literária, nos temas centrais e na recepção inicial, destacando por que O Retorno é uma das estreias mais aguardadas do ano.

A Sinopse: O Retorno de Odisseu a Ítaca

A trama de O Retorno concentra-se nos cantos finais da Odisseia (Livros 19 a 24), onde Odisseu, após 20 anos de ausência — 10 na Guerra de Troia e 10 em viagens cheias de perigos —, finalmente chega à sua ilha natal, Ítaca. Disfarçado de mendigo para testar a lealdade de seu povo, Odisseu questiona se ainda possui a autoridade e a força de um rei após tanto tempo longe. Enquanto isso, Penélope, sua fiel esposa, resiste à pressão de pretendentes arrogantes que invadem o palácio, exigindo que ela escolha um novo marido e assuma o trono.

Um homem misterioso surge na ilha, desencadeando uma série de confrontos que revelam segredos, traições e o custo emocional da ausência prolongada. O filme constrói uma tensão crescente, culminando em um reencontro épico que mistura vingança, redenção e o peso do tempo perdido. Com duração de aproximadamente 113 minutos, O Retorno é classificado como drama épico e já está em cartaz em salas selecionadas no Brasil, com distribuição pela California Filmes.

O Elenco e a Direção: Estrelas de Hollywood em Papéis Mitológicos

Ralph Fiennes, indicado ao Oscar por A Lista de Schindler (1993) e O Paciente Inglês (1996), dá vida a Odisseu com uma performance nuançada, capturando a vulnerabilidade de um herói envelhecido e marcado pelas provações. Sua interpretação enfatiza o conflito interno do personagem, longe da imagem idealizada dos deuses gregos. Juliette Binoche, vencedora do Oscar por O Paciente Inglês, interpreta Penélope como uma mulher forte e astuta, cuja paciência e inteligência são armas contra os invasores. Sua química com Fiennes, construída em cenas íntimas e tensas, é um dos pontos altos do filme.

A direção fica a cargo de Uberto Pasolini, produtor de sucessos como O Último dos Moicanos (1992) e A Viagem de Chihiro (versão internacional), em sua estreia como diretor de longas. Pasolini opta por uma estética realista, filmada em locações na Grécia e Itália, com pouca CGI para manter a autenticidade. O elenco de apoio inclui atores como Louis Serkis (filho de Andy Serkis) como Telêmaco, filho de Odisseu, e Ariane Labed como uma das servas do palácio, adicionando camadas à dinâmica familiar.

A Adaptação da Odisseia: Fidelidade e Inovação

A Odisseia, composta por Homero por volta do século VIII a.C., é um dos pilares da literatura ocidental, narrando a jornada de Odisseu de volta a casa após a Guerra de Troia. O Retorno foca especificamente nos eventos de Ítaca, ignorando as aventuras anteriores (como o Ciclope e as Sereias) para aprofundar o drama humano do reencontro. Pasolini moderniza o texto, incorporando diálogos contemporâneos que ecoam dilemas atuais, como o trauma de guerra e o empoderamento feminino — Penélope não é mais a passiva tecelã, mas uma líder estratégica.

Essa escolha narrativa transforma o épico em um drama familiar, com influências de filmes como Gladiador (2000) e Tróia (2004), mas com um tom mais introspectivo. O roteiro, escrito por Pasolini e Simon Stone, preserva elementos míticos, como o arco de Odisseu e a teia de Penélope, mas os usa como metáforas para temas de identidade e lealdade. Críticos elogiam a adaptação por sua acessibilidade, tornando Homero relevante para o público de 2025, em um ano marcado por produções mitológicas como a série Kaos na Netflix.

Temas Centrais: Retorno, Identidade e Resiliência

O Retorno vai além da ação épica para explorar questões profundas:

  • O Custo do Retorno: Odisseu, após anos de ausência, luta para reconectar-se com sua família e reino, refletindo traumas de veteranos de guerra. Fiennes transmite a alienação de um herói que mudou irrevogavelmente.
  • Empoderamento Feminino: Penélope, interpretada por Binoche, é o coração emocional do filme. Sua resistência aos pretendentes simboliza a força das mulheres em contextos patriarcais, ecoando movimentos como #MeToo.
  • Identidade e Legado: O disfarce de Odisseu questiona o que define um líder — força física ou sabedoria acumulada? O filme critica a superficialidade dos pretendentes, representando a corrupção da nobreza.

Esses temas ressoam com o público contemporâneo, especialmente em um mundo pós-pandemia, onde o “retorno à normalidade” é um conceito complexo. O filme também aborda a mitologia grega como alegoria para migração e exílio, relevante para debates globais em 2025.

Recepção e Críticas Iniciais

O Retorno estreou no Festival de Veneza em 2024, onde recebeu elogios por suas atuações e direção sutil. Com 85% de aprovação no Rotten Tomatoes (baseado em 120 resenhas), o filme é elogiado por sua fidelidade emocional à Odisseia, sem cair em excessos visuais. A crítica da Veja destaca: “Fiennes e Binoche elevam um épico intimista, transformando Homero em cinema humano e urgente.” No Brasil, a recepção é positiva, com notas médias de 4/5 no IMDb e AdoroCinema, embora alguns apontem o ritmo lento como um ponto fraco.

O filme foi indicado ao Leão de Ouro em Veneza e ganhou prêmios de atuação para Fiennes no British Independent Film Awards. Sua bilheteria inicial nos EUA superou US$ 5 milhões em duas semanas, impulsionada por fãs de mitologia e adaptações literárias.

O Legado da Odisseia no Cinema e Por Que Assistir Agora

A Odisseia inspirou inúmeras adaptações, de Ulisses (1954) com Kirk Douglas a O Brother, Where Art Thou? (2000) dos irmãos Coen. O Retorno se destaca por sua foco na parte final, menos explorada, oferecendo uma visão fresca sobre o “felizes para sempre” da epopeia. Em 2025, com o renascimento de épicos mitológicos — impulsionado por sucessos como Duna: Parte Dois —, o filme chega em um momento oportuno, especialmente para quem aprecia dramas históricos como Oppenheimer (2023).

Assistir O Retorno é uma oportunidade de revisitar Homero através de lentes modernas, com atuações magistrais e uma mensagem atemporal sobre lar e identidade. Disponível em cinemas como Cinemark e Kinoplex, é ideal para uma sessão reflexiva. Para fãs de literatura clássica, é uma ponte essencial entre o antigo e o contemporâneo.

Com informações de VEJA.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *