Como a Próxima Geração Está Mudando os Videogames

A indústria de videogames está passando por uma das maiores mudanças geracionais de sua história, com a Geração Alfa — nascidos entre 2010 e 2024 — redefinindo o que significa ser um jogador. De acordo com análises recentes, como as do criador de conteúdo Bellular e relatórios da CNN Brasil, os jovens dessa geração não se identificam mais como “gamers” tradicionais, mas como consumidores casuais que priorizam experiências rápidas e sociais em dispositivos móveis.

Com 93% preferindo smartphones em vez de PCs ou consoles, e o fenômeno do “monogaming” — onde jogadores dedicam quase todo o tempo a um único título, como Roblox ou Fortnite —, os hábitos estão evoluindo rapidamente. Novos jogos, mesmo AAA, lutam por atenção, representando apenas 6,5% do tempo total de jogo em 2023. Neste artigo, exploramos essas tendências, dados atualizados de 2025 e o que isso significa para o futuro da indústria, que pode ver jogos mais nichados e integrados à vida cotidiana.

A Evolução dos Gamers: Da Identidade à Casualidade

Por décadas, os videogames cresceram junto com seus públicos, evoluindo de títulos simples para crianças nos anos 1970 a narrativas cinematográficas complexas nos anos 2020. No entanto, a Geração Alfa está rompendo esse padrão. Segundo o relatório da CNN Brasil de 2023, atualizado com dados de 2025 da McCrindle Research, essa geração — que inclui crianças e adolescentes até 15 anos — vê os games como uma extensão da conexão social, não como uma identidade central. Eles preferem jogos que permitam interações rápidas com amigos, como em Roblox ou Minecraft, onde o foco é na criação coletiva e no entretenimento imediato.

O Fenômeno do Monogaming

O “monogaming” é um dos sinais mais claros dessa mudança. Jogadores da Geração Alfa concentram seu tempo em poucos títulos, dedicando horas diárias a um único jogo em vez de diversificar. Relatórios da Newzoo de 2025 mostram que 70% dos jovens entre 8 e 14 anos jogam exclusivamente em mobile, com sessões curtas de 15-30 minutos, integradas a rotinas escolares e sociais. Isso contrasta com gerações anteriores, como os Millennials (Geração Y), que exploravam múltiplos jogos em consoles.

  • Roblox e Fortnite como Exemplos: Esses jogos capturam 40% do tempo de jogo da Geração Alfa, segundo a IGN Brasil em 2025, graças a elementos sociais, customização e monetização acessível via microtransações.
  • Impacto no Mercado: Com o crescimento de 25% no mobile gaming em 2024 (dados da App Annie), a indústria deve atingir US$ 200 bilhões em 2025, mas com foco em free-to-play e live services.

Essa tendência sugere que a identidade “gamer” está se diluindo, com jovens se vendo como “consumidores de entretenimento digital”, priorizando conveniência sobre imersão profunda.

A Preferência por Mobile: O Fim dos Consoles Tradicionais?

Pesquisas da Newzoo e Statista em 2025 confirmam que 93% da Geração Alfa opta por smartphones para jogar, contra apenas 15% que preferem PCs e 8% consoles. Essa preferência é impulsionada pela acessibilidade: smartphones estão sempre à mão, e jogos como Genshin Impact ou Candy Crush oferecem gratuidade inicial com compras in-app.

Dados Comparativos por Geração

GeraçãoPlataforma PreferidaTempo Médio DiárioFoco Principal
Baby Boomers (1946-1964)Consoles iniciais (ex.: Atari)1-2 horas/semanaDiversão simples
Geração X (1965-1980)Consoles 8/16-bit (NES, SNES)2-3 horas/diaExploração narrativa
Millennials (1981-1996)PC/Consoles 3D (PlayStation)3-4 horas/diaImersão e multiplayer
Geração Z (1997-2009)Mobile + Consoles (PS4/Xbox)2-3 horas/diaSocial e e-sports
Geração Alfa (2010-2024)Mobile (93%)1-2 horas/dia (sessões curtas)Social e casual

Essa migração para mobile pressiona desenvolvedores a criar jogos otimizados para telas pequenas, com controles touch e monetização via ads. No Brasil, onde 80% dos gamers usam mobile (dados da ABRAGAMES 2025), isso é ainda mais evidente, com títulos como Free Fire dominando.

Novos Títulos em Crise: Apenas 6,5% do Tempo de Jogo em 2023

Em 2023, novos jogos representaram apenas 6,5% do tempo total de jogo em plataformas como Steam e consoles, segundo dados da IGN e VG Insights. Quatro títulos — Diablo IV, Hogwarts Legacy, Baldur’s Gate 3 e Starfield — capturaram metade desse tempo, destacando a dificuldade de inovação.

Análise dos Destaques de 2023

  • Baldur’s Gate 3: Gerou US$ 657 milhões na Steam, superando Hogwarts Legacy (US$ 341M) e Starfield (US$ 235M). Com mais de 100 horas de campanha e replayability infinita, é um RPG que atraiu veteranos, mas não a Geração Alfa.
  • Hogwarts Legacy: O mais vendido nos EUA e UK em 2023, com 50 milhões de horas na Twitch. Seu apelo nostálgico (Harry Potter) conquistou, mas caiu após o lançamento.
  • Diablo IV: 70 milhões de horas na Twitch, mas declínio pós-lançamento devido a endgame repetitivo.
  • Starfield: Apesar do hype, críticas a mecânicas repetitivas limitaram seu impacto; 235M em receita.

Em 2025, o padrão persiste: apenas 15% do tempo na Steam é em jogos de 2024 (up de 9% em 2023), com veteranos como GTA V e Counter-Strike 2 dominando. A Geração Alfa contribui para isso, priorizando jogos “vivos” com atualizações constantes.

Monogaming e a Concentração de Tempo: Um Desafio para a Indústria

Cinco jogos respondem por 50% das horas em PC e consoles, segundo Bellular e Newzoo 2025. Isso cria um “efeito vencedor leva tudo”, onde sucessos como Fortnite (com 400 milhões de usuários) monopolizam o tempo, deixando pouco espaço para novos lançamentos.

Impactos no Desenvolvimento

  • Foco em Live Services: Jogos como Destiny 2 e Apex Legends prosperam com atualizações gratuitas, atraindo monogamers.
  • Fracasso de IPs Novas: Apenas 20% dos novos títulos de 2024 alcançaram 1 milhão de jogadores, per Statista.
  • Oportunidades para Nichos: Títulos focados, como Clair Obscur: Expedition 33 (um RPG turn-based para fãs de JRPGs), mostram que qualidade nichada pode vencer, sem microtransações.

Em 2025, o cloud gaming e IA generativa (como no Grok da xAI) podem democratizar o acesso, permitindo jogos personalizados para monogamers.

O Futuro dos Videogames: Nichos, Mobile e Integração Social

A Geração Alfa, que entrará no mercado de trabalho em 2030, moldará jogos mais sociais e casuais. Previsões da Share o/ indicam que a Geração Beta (a partir de 2025) viverá IA integrada, com jogos como ambientes virtuais imersivos. Até 2030, mobile pode representar 60% do mercado (Newzoo), com consoles híbridos como o Switch 2 focando em portabilidade.

Tendências para 2026 e Além

  • Jogos como Serviço: 70% dos lançamentos serão live services, com atualizações para reter monogamers.
  • Integração com Realidade: VR/AR em mobile, como Pokémon GO 2.0, para sessões curtas.
  • Sustentabilidade: Com 93% em mobile, foco em eficiência energética para reduzir pegada de carbono.
  • Inclusão: Mais representatividade, com jogos como Baldur’s Gate 3 inspirando narrativas diversas.

Desenvolvedores devem priorizar nichos: RPGs profundos para veteranos, sociais para Alfa. Como Bellular alerta, modelos tradicionais podem desaparecer se não se adaptarem.

Conclusão

A mudança geracional na indústria de videogames, impulsionada pela Geração Alfa, sinaliza o fim do “gamer” tradicional e o surgimento de consumidores casuais focados em mobile e monogaming. Com novos títulos lutando por apenas 6,5% do tempo em 2023, o futuro depende de inovação nichada e adaptação social. Enquanto gigantes como Roblox dominam, oportunidades para qualidade específica — como em Clair Obscur — mostram que há espaço para todos. Em 2025, a indústria deve abraçar essa evolução para sobreviver, transformando desafios em uma era de jogos mais inclusivos e conectados.

Com informações de IGN Brasil.

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