A Apsen, empresa farmacêutica brasileira especializada em saúde gastrointestinal, está inovando ao capacitar profissionais da saúde para se tornarem criadores de conteúdo digital. Em parceria com a Flint, uma agência especializada em formação para a economia dos criadores (creator economy), a iniciativa “Médico Creators” visa transformar o conhecimento técnico de médicos em materiais acessíveis e confiáveis para o público nas redes sociais. Focado inicialmente na Síndrome do Intestino Irritável (SII), um distúrbio que afeta cerca de 17% da população brasileira – equivalente a aproximadamente 36 milhões de pessoas, segundo um levantamento inédito de 2025 da Fundação para Pesquisa em Doenças Inflamatórias Intestinais (FPDII) –, o programa surge em um momento crucial para a saúde digital no Brasil.
Com a creator economy em ascensão, projetada para movimentar US$ 224,2 bilhões globalmente em 2025 (Favikon, 2025), essa iniciativa não só combate a desinformação, mas também fortalece a presença online de especialistas. Neste artigo, exploramos os detalhes do programa, seu contexto, benefícios e o impacto potencial na saúde pública, com base em dados atualizados de 2025.
O Que é o Programa Médico Creators?
Parceria Estratégica entre Apsen e Flint
O “Médico Creators” é uma extensão da Plataforma Pode ser SII, um programa de educação médica continuada lançado pela Apsen para capacitar profissionais sobre a SII. Desenvolvido em colaboração com a Flint, que tem expertise em treinamentos para criadores de conteúdo, o programa une conhecimento científico a técnicas narrativas digitais. Rafael Montalvão, diretor de experiência de marca da Apsen, explica que a ideia surgiu da necessidade de democratizar informações sobre condições crônicas como a SII, que muitas vezes são mal compreendidas pelo público leigo.
A primeira turma, iniciada em agosto de 2025, conta com 40 gastroenterologistas selecionados pelo Núcleo de Avaliação Funcional do Aparelho Digestivo (NAFAD). O curso, com duração de três meses e conclusão prevista para novembro, combina módulos teóricos e práticos. Os participantes recebem certificação ao final, com foco em produção de conteúdos educativos sobre a SII, como vídeos curtos para Instagram, TikTok e YouTube.
Estrutura do Programa
O treinamento é dividido em etapas claras, projetadas para ser acessível mesmo para médicos sem experiência em redes sociais:
- Módulo Científico: Ministrado pelo Dr. Fábio Teixeira, diretor científico do NAFAD, cobre aspectos clínicos da SII, incluindo diagnóstico, tratamento e relação com saúde mental. Cerca de metade dos pacientes com SII enfrenta ansiedade, e 32% também sofrem de depressão, reforçando a importância do eixo cérebro-intestino (FPDII, 2025).
- Módulo de Letramento Digital: Oferecido pela Flint, inclui ferramentas para produção de conteúdo (edição de vídeos, uso de Canva e CapCut), técnicas narrativas adaptadas às redes sociais e estratégias de engajamento. Os participantes aprendem a criar posts curtos, reels e lives que simplifiquem conceitos complexos sem perder a credibilidade científica.
- Fóruns Mensais: Espaços virtuais para discussão de casos reais, troca de experiências e feedback de mentores. Esses encontros fomentam uma comunidade de “médicos creators”, promovendo colaboração contínua.
O projeto final exige a criação de conteúdos educativos sobre a SII, como infográficos sobre sintomas ou dicas para gerenciamento diário, que serão compartilhados na Plataforma Pode ser SII e nas redes pessoais dos participantes.
A Síndrome do Intestino Irritável: Um Problema Subestimado no Brasil
Prevalência e Impactos
A SII é um distúrbio funcional gastrointestinal crônico, caracterizado por dor abdominal, alterações no hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância) e distensão, sem causa orgânica identificável. No Brasil, afeta cerca de 12% da população, com maior prevalência em mulheres entre 30 e 50 anos (Sociedade Brasileira de Gastroenterologia, 2025). Um estudo recente com 667 indivíduos em todo o país revelou que 17% dos adultos sofrem com a condição, impactando 36 milhões de brasileiros – um número que pode ser subestimado, pois apenas 30% buscam ajuda médica (FPDII, 2025).
Os sintomas vão além do físico: 50% dos pacientes relatam ansiedade, e 32% depressão, destacando a conexão com o eixo cérebro-intestino. Isso leva a absenteísmo no trabalho, com perdas econômicas estimadas em R$ 1,5 bilhão anuais no Brasil (Ministério da Saúde, 2025). A desinformação nas redes sociais agrava o problema, com conteúdos equivocados promovendo dietas milagrosas ou remédios sem evidência.
Por Que Focar na SII?
A Apsen, que atua na área gastrointestinal com produtos como o Trimebutina (para regulação intestinal), vê na SII uma oportunidade de educação. O programa alinha-se à Estratégia de Saúde Digital para o Brasil (2020-2028), que visa integrar dados de saúde e promover conscientização via plataformas digitais. Com a saúde digital projetada para US$ 509 bilhões globalmente em 2025 (Global Market Insights), iniciativas como essa podem reduzir o impacto da SII, melhorando o diagnóstico precoce e o adesão ao tratamento.
A Creator Economy na Saúde Digital: Oportunidades e Desafios
O Crescimento da Creator Economy no Brasil
A creator economy brasileira está em expansão, com mais de 14 milhões de profissionais ativos em 2025 (Wake Creators, 2025). O setor movimentou R$ 10 bilhões em 2024 e deve crescer 30% este ano, impulsionado por plataformas como Instagram e TikTok. Na saúde e bem-estar, que representa 22,8% dos nichos (Favikon, 2025), criadores de conteúdo podem alcançar audiências massivas: 80 milhões de brasileiros consomem conteúdo digital diariamente (NIC.br, 2025).
Eventos como o Youpix Summit 2025, realizado em setembro em São Paulo, destacam tendências como a profissionalização de creators, com foco em saúde mental e monetização ética. No entanto, desafios persistem: apenas 36% dos creators de saúde têm presença notável em temas como terapias online, e há lacunas em inclusão e acessibilidade (Favikon, 2025).
Benefícios para Médicos e Pacientes
Para os médicos, o programa oferece um diferencial estratégico: ampliar a relevância digital e credibilidade, conforme Montalvão. Dominar a linguagem creator permite combater desinformação, como mitos sobre dietas low-FODMAP para SII, e posicionar-se como autoridade. Estudos mostram que conteúdos médicos confiáveis reduzem buscas por informações erradas em 40% (Harvard Business Review, 2025).
Para pacientes, o impacto é transformador: campanhas digitais alcançam públicos maiores que eventos presenciais, promovendo conscientização. Na SII, onde o diagnóstico demora em média 3 anos (FPDII, 2025), conteúdos acessíveis podem encorajar consultas precoces, reduzindo absenteísmo e custos de saúde.
Aqui vai uma tabela comparando abordagens tradicionais vs. digitais na conscientização sobre SII:
| Aspecto | Abordagem Tradicional (Eventos Presenciais) | Abordagem Digital (Médico Creators) |
|---|---|---|
| Alcance | Limitado a centenas de participantes | Milhões via redes sociais |
| Custo | Alto (locais, logística) | Baixo (ferramentas gratuitas) |
| Interatividade | Baixa (palestras unidirecionais) | Alta (comentários, lives) |
| Acessibilidade | Dependente de localização | Global, 24/7 |
| Impacto na Desinformação | Moderado | Alto (conteúdo confiável em tempo real) |
Como o Programa Combate a Desinformação na Saúde
O Papel dos Médicos como Fontes Confiáveis
Nas redes sociais, conteúdos equivocados sobre SII – como promessas de curas instantâneas – circulam livremente, afetando 60% dos pacientes que buscam informações online (Ministério da Saúde, 2025). O programa equipa médicos com ferramentas para criar posts baseados em evidências, como vídeos explicando o eixo cérebro-intestino ou infográficos sobre tratamentos. Montalvão enfatiza: “Médicos podem atuar como fontes seguras, combatendo a desinformação com estudos confiáveis.”
Em 2025, com a IA gerando conteúdos automáticos (como no ChatGPT), a autenticação humana é crucial. O treinamento da Flint inclui ética digital, garantindo que os conteúdos respeitem a LGPD e evitem autopromoção excessiva.
Exemplos de Conteúdo Esperados
- Vídeos Educativos: Explicações curtas sobre sintomas da SII e sua ligação com ansiedade.
- Lives Interativas: Sessões Q&A para esclarecer dúvidas comuns.
- Série de Posts: Dicas práticas para gerenciamento, como dietas e exercícios, com referências científicas.
Esses materiais serão hospedados na Plataforma Pode ser SII, ampliando o alcance para além das redes pessoais.
Benefícios e Impactos Esperados
Para Profissionais da Saúde
- Desenvolvimento de Habilidades: Além do conhecimento clínico, os médicos ganham expertise em marketing digital, útil para consultórios ou palestras.
- Rede de Contatos: Fóruns mensais fomentam colaborações, potencializando parcerias com farmacêuticas como a Apsen.
- Monetização: Na creator economy, médicos podem ganhar com patrocínios éticos, alinhados ao Código de Ética Médica.
Para a Sociedade e a Indústria Farmacêutica
- Conscientização Ampliada: Com 36 milhões afetados pela SII, conteúdos digitais podem reduzir diagnósticos tardios em 25% (estimativa baseada em campanhas semelhantes da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia).
- Redução de Custos: Menos absenteísmo e hospitalizações, economizando bilhões ao SUS.
- Inovação na Saúde Digital: Alinha-se à Estratégia de Saúde Digital do Brasil, que prevê unificação de dados até 2028, promovendo open health.
Em 2025, healthtechs brasileiras captaram US$ 2 milhões em investimentos (BM&C News), sinalizando o potencial da interseção entre creator economy e saúde.
Desafios e Perspectivas Futuras
Barreiras Iniciais
- Resistência Digital: Muitos médicos, especialmente os mais velhos, podem hesitar em adotar redes sociais devido a preocupações éticas ou falta de tempo.
- Regulamentação: O Conselho Federal de Medicina (CFM) exige que conteúdos médicos sejam imparciais, evitando propaganda. O programa aborda isso com treinamentos em compliance.
- Desinformação Persistente: Apesar dos esforços, 40% dos conteúdos de saúde online ainda são imprecisos (WHO, 2025).
Expansão e Tendências para 2026
A Apsen planeja expandir o programa para outras condições, como refluxo gastroesofágico. Com o Youpix Summit 2025 destacando a maturidade da creator economy, espera-se que mais farmacêuticas adotem modelos semelhantes. No Brasil, onde 84,5% das empresas usarão Instagram para influência em 2025 (eMarketer), médicos creators podem liderar a onda de saúde digital autêntica.
Conclusão
O programa Médico Creators da Apsen e Flint representa um passo ousado para integrar ciência e digital, transformando gastroenterologistas em vozes confiáveis contra a desinformação sobre a SII. Ao capacitar 40 profissionais na primeira turma, a iniciativa não só educa o público – afetado por uma condição que impacta 36 milhões de brasileiros –, mas também fortalece a creator economy na saúde digital, projetada para US$ 509 bilhões globalmente em 2025.
Em um cenário onde ansiedade e depressão complicam a SII, conteúdos acessíveis podem salvar vidas e reduzir custos. Para médicos e pacientes, é uma oportunidade de empoderamento; para a sociedade, um avanço rumo a uma saúde mais informada e conectada. Se você é profissional da saúde, considere se inscrever em edições futuras – o futuro da conscientização digital começa agora.
Com informações de Saúde Abril.

