Cortes de Cabos no Mar Vermelho Causam Interrupção no Microsoft Azure

No dia 6 de setembro de 2025, a Microsoft anunciou que seu serviço de computação em nuvem, o Microsoft Azure, está enfrentando problemas de lentidão devido a cortes em cabos submarinos de internet no Mar Vermelho. Essa interrupção afeta principalmente o tráfego de dados entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa, impactando usuários que dependem da plataforma para serviços digitais essenciais. Embora a empresa já esteja trabalhando para minimizar os impactos, a situação destaca a vulnerabilidade da infraestrutura global de internet. Neste artigo, exploramos o que causou a interrupção, como ela afeta os usuários, as soluções da Microsoft e o papel crítico dos cabos submarinos na conectividade global.

O que Causou a Interrupção no Microsoft Azure?

O Microsoft Azure, um dos maiores serviços de computação em nuvem do mundo, enfrentou problemas a partir das 05:45 UTC (02:45 no horário de Brasília) de 6 de setembro de 2025, devido a múltiplos cortes em cabos submarinos no Mar Vermelho. Esses cabos, essenciais para a conectividade global, foram danificados, causando aumento de latência (lentidão na transmissão de dados) e degradação no desempenho para usuários em várias regiões.

Detalhes do Incidente

  • Localização: Os danos ocorreram em cabos próximos a Jeddah, na Arábia Saudita, incluindo sistemas como SEA-ME-WE-4 e IMEWE, que conectam a Europa, a Ásia e o Oriente Médio.
  • Impacto: O tráfego de dados que passa pelo Oriente Médio, com origem ou destino na Ásia ou Europa, foi o mais afetado, resultando em tempos de resposta mais longos para serviços hospedados no Azure.
  • Causa: A Microsoft não especificou a razão exata dos cortes, mas relatos sugerem que podem estar relacionados a atividades humanas acidentais, como arrasto de redes de pesca ou ancoragem, ou a conflitos regionais, como ataques de grupos como os Houthi no Iêmen, que já foram associados a danos anteriores na região.

Segundo a Microsoft, a interrupção não causou uma paralisação total do serviço, mas os usuários podem experimentar latências acima do normal em aplicações que dependem de rotas pelo Oriente Médio.

Como o Azure foi Afetado?

O Microsoft Azure é o segundo maior provedor de computação em nuvem do mundo, com cerca de 722 milhões de usuários globais em maio de 2025, conforme dados da Azure Active Directory. Ele compete diretamente com a Amazon Web Services (AWS) e suporta uma ampla gama de serviços, desde armazenamento de dados até inteligência artificial. A interrupção causada pelos cortes de cabos impactou principalmente:

  • Serviços de navegação: Aplicações que dependem de baixa latência, como videoconferências e jogos online, podem apresentar atrasos perceptíveis.
  • Entregas de dados: Transferências de arquivos ou backups em nuvem podem levar mais tempo para serem concluídos.
  • Conectividade global: Empresas com operações transnacionais, especialmente entre Ásia, Europa e Oriente Médio, enfrentam dificuldades em acessar dados hospedados no Azure.

No entanto, a Microsoft informou que o tráfego que não passa pelo Oriente Médio não foi afetado, e a empresa conseguiu manter a continuidade dos serviços ao redirecionar dados por rotas alternativas.

A Resposta da Microsoft

A Microsoft agiu rapidamente para mitigar os impactos da interrupção. Em um comunicado oficial, a empresa afirmou que suas equipes de engenharia estão gerenciando ativamente a situação por meio de:

  • Redirecionamento de tráfego: Utilizando rotas alternativas para contornar os cabos danificados, embora isso resulte em maior latência.
  • Capacidade diversificada: Aproveitando a infraestrutura global do Azure, presente em mais de 60 regiões, para redistribuir a carga de dados.
  • Parcerias com provedores: Discutindo opções de capacidade adicional com operadoras de telecomunicações na região para aliviar o impacto.

A empresa também destacou que os reparos em cabos submarinos podem levar semanas ou até meses, devido à complexidade do processo, que envolve o envio de navios especializados para localizar e consertar os danos. Enquanto isso, a Microsoft continuará a monitorar, rebalancear e otimizar o tráfego para minimizar os impactos. Atualizações diárias serão fornecidas até que a situação seja normalizada.

Atualização de Status

Até o final do dia 6 de setembro de 2025, a Microsoft informou que não detectava mais problemas críticos no Azure, indicando que as medidas de mitigação foram eficazes. No entanto, a empresa alertou que algumas rotas ainda podem apresentar latência elevada até que os cabos sejam totalmente reparados.

A Importância dos Cabos Submarinos

Os cabos submarinos são a espinha dorsal da internet global, transportando cerca de 97% do tráfego de dados entre continentes. O Mar Vermelho, uma rota estratégica que conecta a Europa à África e à Ásia via Egito, é um dos principais corredores de telecomunicações do mundo. Danos a esses cabos, como os relatados, podem causar interrupções significativas, afetando não apenas serviços como o Azure, mas também comunicações, comércio eletrônico e até operações governamentais.

Por que os Cabos no Mar Vermelho são Vulneráveis?

  • Localização sensível: O Mar Vermelho é uma região de conflitos, incluindo ataques de grupos como os Houthi do Iêmen, que já foram associados a danos a cabos em 2024.
  • Atividades humanas: Segundo especialistas, 70-80% dos danos a cabos submarinos são causados por atividades acidentais, como pesca ou ancoragem, enquanto apenas 10-20% estão ligados a desastres naturais, como terremotos ou erupções vulcânicas.
  • Complexidade de reparos: Consertar cabos submarinos exige navios especializados, que podem levar semanas para chegar ao local e realizar os reparos, especialmente em áreas de conflito.

Impacto Global

Além do Azure, a interrupção afetou a conectividade em países como Índia, Paquistão e Emirados Árabes Unidos, conforme relatado pela Netblocks, uma organização que monitora a internet. Redes locais, como Etisalat e Du, também enfrentaram problemas, evidenciando o alcance global do incidente.

O que isso Significa para os Usuários do Azure?

Para empresas e indivíduos que dependem do Microsoft Azure, a interrupção pode ter impactos variados:

  • Empresas: Organizações que operam em múltiplas regiões podem enfrentar atrasos em processos como sincronização de dados, atualizações de software ou transações financeiras.
  • Usuários finais: Aplicativos hospedados no Azure, como ferramentas de produtividade do Microsoft 365 ou jogos online, podem apresentar desempenho inconsistente.
  • Desenvolvedores: Projetos que dependem de baixa latência, como aplicações de inteligência artificial ou streaming, podem exigir ajustes temporários.

Dicas para Lidar com a Interrupção

  • Monitore atualizações: Acompanhe o status do Azure em azure.status.microsoft para receber informações em tempo real.
  • Ajuste operações: Se possível, priorize tarefas que não dependam de rotas pelo Oriente Médio.
  • Use redundâncias: Empresas devem ativar planos de contingência, como failover para outras regiões do Azure, para minimizar impactos.

O Contexto Global da Conectividade

O incidente no Mar Vermelho destaca a fragilidade da infraestrutura de internet global. Com apenas cerca de 400 cabos submarinos ativos no mundo, danos em pontos estratégicos, como o Mar Vermelho, podem ter efeitos em cascata. A região já enfrentou interrupções semelhantes em fevereiro e julho de 2024, e a repetição de incidentes levanta preocupações sobre a necessidade de maior diversificação de rotas e investimentos em tecnologias alternativas, como satélites de baixa órbita (ex.: Starlink).

Iniciativas para o Futuro

Para evitar interrupções futuras, empresas como a Microsoft estão explorando soluções como:

  • Rotas alternativas: Investir em cabos que evitem áreas de alto risco, como o Mar Vermelho.
  • Tecnologias de backup: Ampliar o uso de satélites e redes 5G para complementar os cabos submarinos.
  • Data centers submarinos: A Microsoft já testou centros de dados submersos, que podem reduzir a dependência de cabos tradicionais.

Tendências para 2026

A interrupção no Mar Vermelho reforça a importância de investir em uma infraestrutura de internet mais resiliente. Para 2026, espera-se que:

  • Novas rotas de cabos: Projetos como o 2Africa, um cabo submarino que conectará 33 países, devem entrar em operação, aumentando a capacidade e a redundância.
  • Tecnologia satelital: Empresas como SpaceX e Amazon estão expandindo redes de satélites, como Starlink e Kuiper, para oferecer alternativas aos cabos.
  • Sustentabilidade: A Microsoft e outras gigantes da tecnologia estão investindo em soluções mais verdes, como cabos de fibra óptica com menor perda de sinal.

Conclusão

Os cortes de cabos no Mar Vermelho expuseram a fragilidade da infraestrutura de internet global, impactando diretamente o Microsoft Azure e milhões de usuários ao redor do mundo. Embora a Microsoft tenha agido rapidamente para redirecionar o tráfego e minimizar os impactos, a situação serve como um lembrete da importância de diversificar rotas e investir em tecnologias de backup. Enquanto os reparos prosseguem, os usuários do Azure podem esperar atualizações regulares e, com sorte, uma rápida normalização dos serviços. A conectividade global é essencial para a economia digital, e incidentes como esse reforçam a necessidade de inovação contínua.

Com informações de UOL.

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