A Geração Z, composta por jovens de até 27 anos, está transformando o conceito de carreira, abandonando a tradicional “escada corporativa” em favor de maior autonomia, flexibilidade e múltiplas fontes de renda. Uma pesquisa da Harris Poll em parceria com o Glassdoor, publicada em 16 de setembro de 2025, revela que 57% desses jovens têm trabalhos paralelos ou “bicos”, superando outras gerações. Esse movimento, conhecido como “minimalismo de carreira”, reflete uma busca por equilíbrio entre trabalho e bem-estar, priorizando liberdade em vez de cargos de liderança ou estabilidade corporativa. Este artigo explora os motivos dessa mudança, os dados da pesquisa, suas implicações e como a Geração Z está moldando o futuro do trabalho.
O Que É o Minimalismo de Carreira?
O “minimalismo de carreira” é uma filosofia em que os profissionais, especialmente da Geração Z, rejeitam a ideia de sucesso linear – subir degraus em uma única empresa até alcançar cargos de chefia. Em vez disso, eles buscam:
- Flexibilidade: Horários e locais de trabalho adaptáveis, muitas vezes remotos ou híbridos.
- Múltiplas fontes de renda: Trabalhos paralelos, freelances ou projetos criativos, como vender artesanato no Etsy, criar conteúdo no TikTok ou oferecer serviços no Fiverr.
- Propósito e bem-estar: Projetos alinhados aos valores pessoais, com menos foco em prestígio e mais em qualidade de vida.
Essa abordagem contrasta com gerações anteriores, como os baby boomers, que viam a ascensão corporativa como sinônimo de sucesso. Morgan Sanner, especialista do Glassdoor, resume: “A Geração Z troca a rigidez da escada corporativa por uma carreira onde podem pular para oportunidades que fazem sentido no momento.”
Dados da Pesquisa: Geração Z e o Trabalho Paralelo
A pesquisa da Harris Poll e Glassdoor, realizada em 2025, entrevistou milhares de trabalhadores nos EUA e destacou tendências claras:
Trabalhos Paralelos por Geração
| Geração | Idade (em 2025) | % com Renda Extra |
|---|---|---|
| Geração Z | Até 27 anos | 57% |
| Millennials | 28-43 anos | 48% |
| Geração X | 44-59 anos | 31% |
| Baby Boomers | 60-78 anos | 21% |
- Geração Z lidera: Quase 60% têm “side hustles”, como freelances, vendas online ou criação de conteúdo, contra 48% dos millennials, 31% da Geração X e 21% dos boomers.
- Motivações: Além de complementar a renda, 65% dos jovens buscam expressar criatividade, 60% valorizam independência financeira e 55% querem evitar depender de um único empregador.
- Rejeição à liderança: 68% não aceitariam cargos de chefia sem aumentos significativos de salário ou status, citando estresse (72%) e instabilidade corporativa (64%) como barreiras.
No Brasil, tendências semelhantes aparecem. Um estudo da Catho (2025) mostra que 45% dos jovens brasileiros de 18 a 27 anos têm pelo menos uma fonte de renda extra, com plataformas como Uber, iFood e Upwork crescendo em popularidade.
Por Que a Geração Z Rejeita a Escada Corporativa?
Vários fatores explicam essa mudança de paradigma:
1. Experiência com Instabilidade
A Geração Z cresceu em meio a crises econômicas (2008, pandemia de 2020) e demissões em massa, observando pais e avós enfrentarem insegurança mesmo em carreiras tradicionais. Um relatório da McKinsey (2024) indica que 40% dos jovens veem a estabilidade corporativa como “ilusória”.
2. Valorização do Bem-Estar
Para a Geração Z, saúde mental e equilíbrio são prioridades. Um estudo da Deloitte (2025) revela que 70% dos jovens preferem horários flexíveis a salários mais altos, e 62% já deixaram empregos por falta de bem-estar. Trabalhos paralelos permitem ajustar a carga de trabalho às necessidades pessoais.
3. Cultura Digital e Gig Economy
Crescer na era digital deu à Geração Z acesso a plataformas como TikTok, Twitch e Etsy, onde podem monetizar hobbies. A “gig economy” cresceu 20% no Brasil entre 2023 e 2025, com 1,5 milhão de jovens freelancers registrados em plataformas como Workana.
4. Desconfiança nas Estruturas Tradicionais
A Geração Z viu empresas priorizarem lucros sobre funcionários, com 55% acreditando que “lealdade corporativa não compensa”, segundo a Harris Poll. Isso os leva a diversificar rendas, reduzindo riscos.
5. Busca por Propósito
Projetos paralelos muitas vezes refletem paixões pessoais, como criar conteúdo sobre sustentabilidade ou vender artesanato. Um estudo da LinkedIn (2025) mostra que 60% dos jovens priorizam trabalhos alinhados aos seus valores, mesmo que paguem menos.
Exemplos de Trabalhos Paralelos da Geração Z
Os “side hustles” variam de acordo com interesses e habilidades:
- Criação de Conteúdo: Vídeos no TikTok ou YouTube, blogs ou podcasts. Exemplo: Criadores brasileiros geram até R$ 5 mil/mês com parcerias.
- Freelance Digital: Design gráfico, redação ou tradução em plataformas como Fiverr e Upwork.
- Vendas Online: Produtos personalizados no Elo7 ou Mercado Livre, como camisetas ou acessórios.
- Serviços na Gig Economy: Motorista de Uber, entregador no iFood ou tutor online.
- Cursos e Consultoria: Jovens ensinam habilidades, como edição de vídeo ou idiomas, via Zoom ou Superprof.
Essas atividades não só geram renda (média de R$ 1.500/mês no Brasil, per Catho), mas também permitem testar carreiras sem compromisso fixo.
Implicações para o Mercado de Trabalho
O minimalismo de carreira está forçando empresas a se adaptarem:
Para Empresas
- Novos Modelos de Trabalho: 50% das empresas globais planejam oferecer contratos híbridos ou freelances até 2027, segundo Gartner.
- Foco em Bem-Estar: Organizações como Nubank e iFood implementaram semanas de 4 dias ou benefícios de saúde mental para atrair jovens.
- Desafios de Retenção: Com 68% rejeitando chefias, empresas precisam repensar incentivos além de salários, como autonomia e aprendizado.
Para a Geração Z
- Benefícios: Maior controle sobre a carreira, com 75% relatando mais satisfação, per LinkedIn.
- Riscos: Renda instável (freelances variam 30-50% mês a mês) e falta de benefícios como previdência.
- Soluções: Criar reservas financeiras e buscar plataformas com contratos fixos, como Hotmart, para estabilidade.
Como Adotar o Minimalismo de Carreira
Para jovens interessados em seguir esse caminho, aqui estão dicas práticas:
- Identifique Paixões: Liste hobbies que podem ser monetizados, como fotografia ou escrita.
- Teste Plataformas: Experimente Upwork, 99Freelas ou TikTok para trabalhos rápidos.
- Gerencie Tempo: Use apps como Notion ou Trello para equilibrar bicos e vida pessoal.
- Invista em Habilidades: Cursos na Udemy ou Coursera (muitos com descontos em 2025) ensinam marketing digital, design ou programação.
- Proteja-se Financeiramente: Reserve 20% da renda extra para impostos e emergências, recomenda o Sebrae.
- Construa Rede: Participe de comunidades no LinkedIn ou eventos locais para encontrar oportunidades.
Perspectivas para o Futuro
O minimalismo de carreira deve crescer, com projeções indicando que 70% da força de trabalho global terá alguma renda paralela até 2030 (McKinsey, 2025). No Brasil, o crescimento da gig economy e a digitalização (ex.: 5G ampliado em 2025) facilitarão esse modelo. No entanto, governos precisam regular benefícios trabalhistas para freelancers, como já ocorre na UE com a Diretiva de Trabalho em Plataformas.
Tendências para 2025-2030
- Plataformas de nicho: Novas ferramentas, como a brasileira Hotmart, conectarão criadores a mercados específicos.
- Educação acessível: Cursos online gratuitos do SENAC e Sebrae capacitarão jovens para freelances.
- Foco em IA: Ferramentas como Grok (xAI) ajudarão a criar conteúdo ou gerenciar projetos, aumentando a eficiência.
Conclusão
A Geração Z está reescrevendo as regras do trabalho, trocando a rigidez da escada corporativa por um modelo fluido, criativo e flexível. Com 57% adotando rendas extras, esses jovens priorizam liberdade, bem-estar e propósito, desafiando empresas a se adaptarem. O minimalismo de carreira oferece autonomia, mas exige planejamento para superar instabilidades. Em 2025, plataformas digitais e novas tecnologias, como IA, amplificam esse movimento, apontando para um futuro onde o trabalho é mais diverso e personalizado. Seja você da Geração Z ou não, experimentar um “side hustle” pode ser o primeiro passo para uma carreira mais alinhada com seus valores.
Com informações de Alô Alô Bahia.

