Os óculos inteligentes estão ganhando destaque como a próxima grande revolução na tecnologia, e Mark Zuckerberg, CEO da Meta, não poupa palavras ao prever que eles podem substituir os smartphones na próxima década. Em um cenário onde os celulares dominam o dia a dia, essa visão sugere uma transição para interfaces mais imersivas e naturais, integrando realidade aumentada (AR), inteligência artificial (IA) e comandos por voz e gestos. Com o lançamento recente do Meta Quest 3S e avanços em protótipos como o Orion, a Meta está apostando alto nessa mudança. Neste artigo, exploramos o que isso significa para o futuro da computação pessoal, os recursos disponíveis hoje e os desafios que ainda precisam ser superados para tornar essa tendência uma realidade cotidiana.
A Visão de Mark Zuckerberg para o Futuro da Tecnologia
Mark Zuckerberg tem sido consistente em sua crença de que os óculos inteligentes representarão o próximo paradigma computacional. Durante o Meta Connect 2025, realizado em 17 e 18 de setembro, o CEO reforçou que dispositivos como óculos conectados, combinados com IA, voz e gestos, eliminarão a necessidade de telas portáteis constantes. “As pessoas que usam óculos inteligentes terão uma vantagem cognitiva significativa em comparação com aquelas que não usam”, afirmou ele em uma chamada de resultados financeiros da Meta no segundo trimestre de 2025. Essa previsão não é nova: desde 2024, Zuckerberg compara a ascensão dos óculos AR aos smartphones, prevendo que, até 2030, bilhões de pessoas os adotarão como o principal dispositivo digital.
Para Zuckerberg, os smartphones, apesar de revolucionários, criam distrações ao exigir que os usuários tirem o dispositivo do bolso repetidamente. Em contraste, os óculos inteligentes permitem interações fluidas com o mundo real, sobrepondo informações digitais de forma discreta. Ele envisions um ecossistema onde a IA pessoal — que “nos conhece profundamente e nos ajuda a alcançar objetivos” — se integra perfeitamente a esses wearables. Essa visão alinha-se com investimentos bilionários da Meta em realidade estendida (XR), mesmo diante de perdas acumuladas de mais de US$ 70 bilhões na divisão Reality Labs desde 2020.
Atualizações recentes do Meta Connect 2025, como melhorias no Horizon OS e parcerias com EssilorLuxottica para novos modelos de óculos Ray-Ban e Oakley, reforçam essa aposta. Zuckerberg destacou que, com 1 a 2 bilhões de pessoas já usando óculos corretivos diariamente, a transição para versões inteligentes será natural e rápida.
O Meta Quest 3S: Porta de Entrada para a Realidade Mista
Recursos e Especificações Principais
O Meta Quest 3S, anunciado no Meta Connect 2024 e atualizado em 2025, é posicionado como o headset de realidade mista mais acessível da Meta, com preço inicial de US$ 299 para a versão de 128 GB e US$ 399 para 256 GB. Ele herda tecnologias do Quest 3, mas com foco em custo-benefício para atrair um público mais amplo.
- Display e Processamento: Usa lentes Fresnel (em vez das pancake do Quest 3), com resolução de 1832 x 1920 pixels por olho e taxa de atualização de 120 Hz. O processador Snapdragon XR2 Gen 2 garante desempenho fluido para jogos e apps.
- Realidade Mista: Câmeras coloridas de passthrough permitem misturar o mundo real com elementos virtuais, ideal para multitarefa.
- Controles e Interação: Suporte a gestos manuais intuitivos, rastreamento de mãos e comandos de voz via Meta AI. Bateria de até 2,5 horas, com carregamento rápido.
- Armazenamento e Compatibilidade: Até 256 GB internos, compatível com o vasto ecossistema de apps Quest, incluindo jogos como Batman: Arkham Shadow e Deadpool VR, lançados em 2025.
Atualizações no Connect 2025 incluem melhorias na bateria, câmeras de passthrough aprimoradas e um sistema de guardian AI que adapta limites de segurança ao ambiente. Isso torna o Quest 3S uma opção versátil para iniciantes em VR/AR.
Estratégia de Preços e Adoção em Massa
A Meta adota uma abordagem em “degraus”: o Quest 3S serve como entrada acessível, enquanto o Quest 3 (US$ 499) permanece como premium com displays de maior resolução. Essa estratégia visa reduzir barreiras financeiras e estimular experimentação. No evento de 2025, Zuckerberg enfatizou que o foco em volume ajudará a escalar o ecossistema, com bundles incluindo jogos como Deadpool VR (lançado em novembro de 2025) e assinaturas Meta Quest+.
Para desenvolvedores, o Connect 2025 anunciou SDKs atualizados e suporte a Android XR, abrindo portas para parcerias com Google e Samsung. Isso pode acelerar o desenvolvimento de apps, tornando a plataforma mais atrativa.
O Que Você Pode Fazer com Óculos e Headsets da Meta Hoje
Aplicações Diárias e Entretenimento
Além de jogos imersivos, os dispositivos Meta integram comunicação cotidiana. No Quest 3S, é possível:
- Mensagens e Chamadas: Envie textos ou faça videochamadas via Messenger e WhatsApp diretamente no headset, compartilhando sua visão em primeira pessoa para experiências colaborativas.
- Produtividade: Use apps como Horizon Workrooms para reuniões virtuais ou ferramentas de AR para sobrepor notas e calendários no mundo real.
- Entretenimento: Assista filmes em telas virtuais gigantes, jogue multiplayer com amigos ou explore mundos sociais no Horizon Worlds, atualizado em 2025 com mais eventos ao vivo.
Os óculos Ray-Ban Meta, atualizados na Gen 2 em 2025, adicionam câmeras de 12 MP para fotos/vídeos hands-free, áudio de alta qualidade e IA para respostas contextuais, como tradução em tempo real.
Integração com IA e Realidade Aumentada
A Meta AI é central: no Quest 3S, ela responde perguntas, gera imagens e gerencia tarefas por voz. No Connect 2025, novas features incluem modo de voz multimodal e geração de imagens para redes sociais. Para AR, protótipos como o Orion usam micro-LED para sobrepor hologramas no campo de visão, com controle via pulseira neural EMG que detecta sinais musculares para gestos precisos.
Essas capacidades transformam tarefas rotineiras: imagine navegar por uma cidade com direções AR ou receber resumos de notícias sussurrados no ouvido, sem precisar olhar para uma tela.
Investimentos da Meta e o Caminho para a Rentabilidade
Perdas na Reality Labs e Compromisso Estratégico
A divisão Reality Labs da Meta continua gerando perdas significativas: no segundo trimestre de 2025, registrou US$ 4,53 bilhões em prejuízos, com receita de apenas US$ 370 milhões — melhor que os US$ 4,99 bilhões esperados, mas parte de um total acumulado de cerca de US$ 70 bilhões desde 2020. No primeiro trimestre, foram US$ 4,2 bilhões em perdas, e no quarto de 2024, US$ 4,97 bilhões.
Apesar disso, Zuckerberg defende os investimentos como essenciais para a “próxima plataforma computacional”. A Meta planeja gastar mais em 2025, focando em AI e hardware leve. Parcerias como com EssilorLuxottica impulsionam vendas: as Ray-Ban Meta triplicaram em receita no primeiro semestre de 2025.
Concorrência e Inovações no Mercado
Outras big techs competem ferozmente. Apple lançou o Vision Pro em 2024, com atualizações em 2025 para AR mais acessível. Google e Samsung anunciaram o Project Moohan para 2025, um headset VR/AR. A Meta domina com 74,6% do mercado de headsets em 2024, mas enfrenta rivais como Sony (4,3%) e ByteDance (4,1%).
Inovações incluem óculos com displays (como Ray-Ban Hypernova) e pulseiras neurais para controle gestual. A IDC prevê queda de 12% em envios de headsets em 2025 devido a atrasos, mas rebound de 87% em 2026, com CAGR de 38,6% até 2029.
O Crescimento Projetado do Mercado de AR/VR
O mercado de AR/VR está em expansão acelerada. Em 2025, espera-se receita global de US$ 46,6 bilhões, crescendo a um CAGR de 10,27% para US$ 75,9 bilhões até 2030, com 3,8 bilhões de usuários (penetração de 57%).
- AR: De US$ 83,65 bilhões em 2024 para US$ 599,59 bilhões em 2030 (CAGR 37,9%), impulsionado por hardware como smart glasses e apps em varejo e educação.
- VR: De US$ 20,43 bilhões em 2025 para US$ 85,56 bilhões em 2030 (CAGR 33,16%), com mixed reality liderando a 34,2%.
- Geral AR/VR: De US$ 59,75 bilhões em 2024 para US$ 200,86 bilhões em 2030 (CAGR 22%), com APAC crescendo a 22,7%.
Fatores como 5G, edge computing e integração com IA generativa aceleram isso. Aplicações em saúde (terapia VR), educação (aulas imersivas) e varejo (provadores virtuais) impulsionam a adoção. Projeções da ABI Research indicam 13 milhões de unidades de smart glasses em 2026, contra 3,3 milhões em 2024. Anúncios em AR/VR devem atingir US$ 8,8 bilhões em 2025.
A Situação no Brasil: Desafios de Adoção
No Brasil, os smartphones ainda reinam supremo. No primeiro trimestre de 2025, o país registrou crescimento de 3% nas vendas, com 9,5 milhões de unidades, único grande mercado latino-americano em alta, segundo a Canalys. Marcas chinesas como Xiaomi e Honor dominam, com a Honor lançando dobráveis e modelos com IA em 2025.
O Quest 3S não tem lançamento oficial pela Meta no Brasil; é vendido via importadores, com preços inflados (Quest 3S por R$ 3.800-4.000, Quest 3 até R$ 5.500), 50% acima do MSRP devido a impostos e falta de suporte. A Meta não envia produtos nem oferece garantia local, limitando a adoção.
Entraves incluem peso dos headsets (desconforto prolongado), bateria limitada e custo elevado em reais. No entanto, o mercado de XR cresce: com 5G expandindo, apps locais em educação e entretenimento podem impulsionar o interesse. A base de 200 milhões de smartphones no Brasil sugere uma transição gradual, começando com nichos como gamers e profissionais.
Desafios e Críticas à Transição para Óculos Inteligentes
Barreiras Técnicas e de Usabilidade
Apesar do otimismo, desafios persistem. Bateria dura pouco (2-3 horas em uso intenso), e o conforto para uso diário é questionável — óculos pesados causam fadiga. Privacidade é uma preocupação: câmeras sempre ativas levantam debates sobre vigilância. Processamento e latência ainda precisam melhorar para AR fluida.
Céticos argumentam que óculos não substituirão phones completamente, servindo como complementos, como smartwatches. No Reddit, usuários debatem: “Glasses nunca substituirão phones por natureza — você não os usa o tempo todo.”
Questões Econômicas e Sociais
As perdas da Reality Labs geram escrutínio: com US$ 4-5 bilhões trimestrais, investidores questionam a rentabilidade. Layoffs em 2025 afetaram equipes de software VR. Socialmente, acessibilidade é chave: em países em desenvolvimento, custo e infraestrutura limitam adoção.
Regulamentações sobre dados e IA também evoluem, com a UE impondo regras para wearables em 2025.
O Futuro: Uma Transição Gradual ou Revolução Imediata?
A transição para óculos inteligentes será em camadas: headsets como Quest 3S começam como acessórios para entretenimento e produtividade, evoluindo para óculos leves como Orion (previsto para 2027+). Até 2030, Zuckerberg prevê que smartphones fiquem “mais no bolso que na mão”.
Tendências incluem integração com 6G para latência zero e AI superinteligente. No Brasil, parcerias locais e redução de preços poderiam acelerar isso. A pergunta final: se óculos ganharem conforto, bateria longa e preço acessível, você trocaria o smartphone por uma interface imersiva? Para Zuckerberg, a resposta é clara: sim, e em breve.
Com informações de Olhar Digital.

